Em pleno vôo e acelerando

Divisão de Produtos Aeronáuticos da Goodyear comemora suas conquistas pensando no futuro

O ano de 2002 foi muito bom para a linha de pneus para avião da Companhia. Passada a turbulência provocada pelos atentados de 11 de Setembro de 2001, que afetou todos os negócios ligados à aviação, a Divisão de Produtos Aeronáuticos da Goodyear estabilizou seu vôo e ganhou altitude e velocidade. O sucesso veio no rastro dos aviões da EMBRAER (Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A), de São José dos Campos (SP), para os quais a Companhia fornece os pneus. A linha Goodyear para a aviação, feita no Brasil, conta com quatro medidas de pneus para os jatos da EMBRAER, os ERJ 135, 140 e 145.
Cerca de 90% dos pneus de aviação produzidos pela Goodyear do Brasil, em 2002, foi exportada. Embora sejam equipamento original, é no mercado de reposição que está o maior volume de fornecimento, segundo o gerente da divisão, Vanderlei Nazareth, e a grande procura vem dos outros países onde os jatos da EMBRAER operam. De acordo com Nazareth, apenas 10% dos pneus produzidos no Brasil ficam no país. “Cerca de 58% de nossa produção vai para os Estados Unidos, 29% segue para a Europa e 3%, para a Ásia”, explica o gerente. Os pneus fabricados na unidade do Belenzinho, em São Paulo, comprovam sua alta qualidade pelos cinco continentes, nos mercados onde são homologados. Isso é bom para a Goodyear e também para o país, que conta com esse reforço em sua balança de pagamentos.
Entre os clientes da Goodyear no mercado internacional estão companhias como a ExpressJet, empresa regional da Continental Airlines, e a American Eagle, braço da Ame­rican Airlines, que detêm as duas principais frotas de jatos EM­BRAER nos Estados Unidos. Na Europa, os clientes que se destacam são a Regional (France), a Swiss, a British Midland e a Portugalia, entre outros. Na China, há a Sichuan Airlines. No Brasil, além da própria EMBRAER, a Companhia fornece produtos para a Rio Sul (VARIG) e para a Força Aérea Brasileira, que utiliza a versão militar do jato ERJ 145, AEW&C e RS EMB 145 usado em operações de rastreamento do espaço aéreo.
Em 2002, a Goodyear consolidou sua posição no segmento. “Hoje temos cerca de 98% do mercado”, diz Nazareth, lembrando que esse espaço foi conquistado e mantido com muito trabalho, ao longo dos anos. A história da Divisão de Produtos Aeronáuticos tem duas fases no Brasil. A fábrica do Belenzinho começou a fazer pneus de avião em 1943, integrando o esforço de produção, durante a Segunda Guerra Mundial, e só foi suspensa em 1992, com o fim da Guerra Fria. Na época, houve uma retração no mercado e a Companhia fechou duas das quatro linhas de produção que possuía no mundo. Mas não demorou muito para que a unidade do Belenzinho voltasse a se dedicar aos aviões. Oito anos depois, com o sucesso da EMBRAER, a Goodyear voltou a produzir pneus de avião no Brasil. Estar próximo ao cliente sempre foi a preocupação da empresa, que mesmo no período de interrupção das linhas não deixou de atender o mercado. “De 1992 a 2000, a Goodyear não esteve ausente”, conta Nazareth. “A empresa manteve estoques para garantir o abastecimento da aviação local, e seu corpo de vendas e de assistência técnica e a unidade de recauchutagem continuaram funcionando.”

Na rota dos jatos ERJ, a Companhia voltou a fabricar os pneus do turboélice Brasília e planeja diversificar sua linha em 2003. Estão na carta de vôo os pneus do caça subsônico AMX, dos supersônicos Mirage e Kfir e das aeronaves regionais Twin Otter e Saab 2000 – das quais há um grande número em operação no exterior. Para os aviões de pequeno porte, usados por aviadores particulares, táxi aéreo e aeroclubes, como os mono e bimotores Cessna e Piper, a Goodyear produzirá no Brasil a sua linha Flight Special, que atualmente é produzida nos Estados Unidos. “Começaremos com as medidas de aro 6”, depois faremos as de aro 5”, 8” e 10”, em 2004, 2005 e 2006”, diz o gerente da Divisão de Produtos Aeronáuticos. “São milhares de pneus”, comemora. De sua cabine, na fábrica do Belenzinho, o comandante Vanderlei Nazareth avista um horizonte cheio de oportunidades.